“E se…?”: como a IA tirou as ideias da minha cabeça
“E se...?”
Esse foi o título da palestra com que ontem me apresentei como convidada no curso de Liderança + IA do Antonio Iturra N., da Universidade de Santiago do Chile
São perguntas que eu me faço todo dia. E se isso não precisasse ser feito na mão? E se o dado chegasse sozinho, em vez de eu ter que ir atrás dele? E se eu fizesse um vídeo disso que estou mostrando? E se alguma coisa lesse meus e-mails e minhas mensagens e me dissesse em voz alta quais importam? Eu me pergunto isso sobre tudo: o trabalho, a casa, meus filhos. Para o resto do mundo é exaustivo. Para mim é a coisa mais divertida que existe.
O problema é que antes essas perguntas ficavam por ali. Eu via a solução completa, montada, funcionando perfeitamente, dentro da minha cabeça, e nenhum jeito de tirá-la de lá.
Mas quando eu mergulhei de cabeça no uso de IA e automação, tudo mudou. Há 3 anos, a primeira coisa que eu fiz foi um jogo para o meu filho aprender geometria. Foi suspeitamente fácil. Ele gostou tanto que começou a me pedir mais, e aprendendo muito. Mas isso foi só o começo...
Depois vieram pesquisas, sites, imagens, apresentações, vídeos, animações. Cada coisa que eu testava me abria outras três. Até que cheguei aos dados, que é o que me fascina, e de lá não saí mais: dashboards complicadíssimos por dentro e simples de ver por fora (é aí que está toda a graça), 20 agentes que trabalham comigo, skills que eu fiz sob medida. Hoje as coisas que eu faço são usadas por gente que eu nem conheço, para decidir coisas que importam.
E cada coisa que eu automatizei me devolveu as horas para fazer a próxima.
No fim da aula, alguém me perguntou se eu não estava ficando dependente da IA. Em parte sim, respondi. Mas os agentes que eu montei pensam como eu penso, porque eu os fiz do meu jeito de raciocinar. Se amanhã cair tudo — acabam meus créditos, cai a internet, o que for — eu perco velocidade. Não perco o meu jeito de resolver.
Porque as perguntas continuam sendo minhas, e as respostas também. Sou uma questionadora incorrigível: não acredito em nada do que ela me entrega, e reviso com a mesma insistência insuportável com que reviso a mim mesma. O que a IA me dá, de longe, é velocidade (Pensou, fez)
Quando falam de human in the loop (um humano metido dentro do circuito, revisando.) Eu não estou no loop: eu sou o loop kkk E de quebra atormento um pouco minhas ferramentas de trabalho: às 4 da manhã, quem me manda ir dormir é o Claude ou o Codex, porque eles já não me aguentam mais!
Toda vez que alguém me pergunta “ei, será que dá para fazer isso?”, respondo a mesma coisa: poder, pode. Então, se você tem uma dessas ideias que arquivou anos atrás porque não dava.
O mais provável é que hoje dê.
Publicado originalmente en LinkedIn.
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