Com IA, todo mundo parece especialista: como distinguir quem pensa

Se não pode convencê-los, confunda-os.
Lembram que antes, quando alguém não fazia muita ideia do assunto, dava para perceber? A pessoa enrolava, enchia o PowerPoint de palavras pomposas, falava “benchmark”, “roadmap”, “estratégia omnichannel” e mesmo assim dava para ver que era puro blefe.
Agora isso mudou.
Nunca foi tão fácil falar qualquer coisa... com tom de especialista.
A IA organiza a sua bagunça, melhora a sua redação, monta uma tabela linda e deixa a ideia soando até inteligente, mesmo que não fosse.
E aí começa o problema. Porque agora todo mundo pode soar claro, inteligente e estratégico. Bom, quase todo mundo...
Então fico com essa pergunta na cabeça: como a gente distingue quem realmente pensa de quem só aprendeu a soar como se pensasse?
Porque uma resposta bonita pode esconder uma ideia fraca, uma tabela pode esconder uma premissa absurda ou um maldito caos de dados, e um texto impecável pode não dizer absolutamente nada.
E nesta fase, acho que o critério vai aparecer muito menos em como você escreve... e muito mais no que você é capaz de questionar antes de publicar, apresentar ou decidir.
Meu radar superpessoal é que, se a pessoa briga com as IAs dela, é porque tem pensamento crítico... nem tudo que reluz é ouro, e nem tudo que está bem escrito é IA...
Publicado originalmente en LinkedIn.
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